BNEI AKIVA - SÃO PAULO

Reflexões sobre a Parashát hashavua

Por Rav Moshe Bergman

Parashát Vezót Habrachá (Leitura em Simchát Torá) /Dvar Torá - Sucót

 

REUNAM O POVO!

 

Aproximadamente a quase dois mil anos atrás, quando o povo judeu se assentava como um todo em sua terra e o Templo se firmava em seu lugar, as festividades judaicas tinham um aspecto bem diferente daquele que tem tido desde então.

Uma mitsvá especial que dava caráter único às nossas festividades era a mitsvá de “Aliá lareguel” (subir à Jerusalém). Centenas de milhares de famílias judias viajavam de todos os rincões do país para festejá-las em Jerusalém. Todo judeu adulto tinha a obrigação de estar presente em Jerusalém durante estas festas para presenciar a “Shechiná” (Divindade) e para levar as suas oferendas festivas.

Nste ano, teremos a oportunidade única de cumprir uma mitsvá especial que só pode ser cumprida após um ano Sabático (Shmitá):

Está escrito na Torá, no livro Devarim 31,10-12:

(10) "Ao fim dos sete anos da Shmitá, na festa de Sucót..."

(11) "Quando todo o povo de Israel vier presenciar a Divina face da Shchiná no lugar que Eu escolher, leia toda esta Torá aos ouvidos de toda a congregação de Israel..."

(12) "Reuna todo o povo, os homens, as mulheres e as crianças, e o estrangeiro que estiver dentro de suas fronteiras, para que escutem, para que aprendam e para que temam a Hashem seu D-us, e para que cuidem em cumprir tudo o que diz esta Torá."

Como se cumpria esta mitsvá?

Todo o povo, incluindo os homens e mulheres, crianças e idosos , e até os bebês, se reuniam em volta do Beit Hamikdash no primeiro dia de Chol hamoed da festa de Sucót, que neste ano (5762) é uma quarta-feira (na diáspora é o segundo dia de Sucót). Os cohanim preparavam com antecedência um estrado elevado de madeira para o Rei, de forma todos podiam ouví-lo bem.

Chegada a hora da leitura, tocavam trombetas por toda a cidade, anunciando seu início. O Rei subia no estrado e sentava-se numa cadeira especial, de seu uso único e exclusivo. Nenhum ser humano tem a permissão de sentar-se na área do Beit Hamikdash, com exceção dos reis da casa de David. O gabai (assistente) do Mikdash retirava um sêfer Torá do Aron Hakodesh (arca sagrada) e o passava para o responsável pelos assuntos do Templo. Este passava o sêfer para o segundo Sumo Sacerdote, que o passava para o Sumo Sacerdote, que o levava atá o Rei.

O Rei recebia o livro com pompa e reverência, abria, recitava as bençãos da Torá e lia em voz alta e agradável todo o Chumash (livro) Devarim, desde seu início ate o Shemá Israel, saltava para a parashá (porção) Vehaia Im Shamoa, saltava para outras passagens importantes, e concluia com o passuk (versículo):

"Estas são as palavras do pacto que Hashem ordenou a Moisés para selar com a Nação de Israel, fora o pacto que já fora selado no Monte Horev" (Devarim 28:69).

Neste passuk está contido o segredo desta mitsvá: renovamos a cada sete anos o pacto que fizemos com Hashem no monte Sinai. O evento da reunião de todo o povo era uma ratificação do recebimento da Torá no Monte Sinai, por isso devemos escutar da boca do Rei as palavras da Torá com reverência e temeridade, como se tivessem sido proferidas pelo próprio D-us. Segundo Rambam (Chaguigá, 3:6).:

"Devem preparar os seus corações e seus ouvidos para escutar com reverência, temor e regozijo, como no dia em que estiveram no Monte Sinai. Mesmo os maiores sábios, que conhecem toda a Torá, têm a obrigação de escutá-la com grande concentração; e quem não podia escutá-la, tinha que ter esta intenção em seu coração, uma vez que a intenção deste passuk é fortificar a fé na religião verdadeira e para que a pessoa sinta-se como se estivesse escutando a Torá do próprio D-us, pois o Rei é um shaliach (emissário) da palavra Divina."

Todos esperamos que em breve possamos ver a reconstrução do Beit Hamikdash, e que tudo o que escrevemos aqui se cumpra como toda e qualquer halachá (leia judaica). Caso, D-us nos livre, neste ano ainda não possamos cumprir esta mitsvá, então esta página servirá como ensino e saudades desta mitsvá, e Hashem verá em nosso anseio como se a tivéssemos cumprido. Cada um de nós, de maneira individual, pode renovar e reforçar o pacto eterno com Hashem. Quem estiver em Israel, vale a pena ir ao Kotel para presenciar o evento " lembrança da mitsvá do Hakhel", que costuma celebrar o Rabinato Central de Israel.