REUNAM
O POVO!
Aproximadamente
a quase dois mil anos atrás, quando o povo judeu se assentava como um todo em
sua terra e o Templo se firmava em seu lugar, as festividades judaicas tinham um
aspecto bem diferente daquele que tem tido desde então.
Uma
mitsvá especial que dava caráter único às nossas festividades era a mitsvá
de “Aliá lareguel” (subir à Jerusalém). Centenas de milhares de famílias
judias viajavam de todos os rincões do país para festejá-las em Jerusalém.
Todo judeu adulto tinha a obrigação de estar presente em Jerusalém durante
estas festas para presenciar a “Shechiná” (Divindade) e para levar as suas
oferendas festivas.
Nste
ano, teremos a oportunidade única de cumprir uma mitsvá especial que só pode
ser cumprida após um ano Sabático (Shmitá):
Está
escrito na Torá, no livro Devarim 31,10-12:
(10)
"Ao fim dos sete anos da Shmitá, na festa de Sucót..."
(11)
"Quando todo o povo de Israel vier presenciar a Divina face da Shchiná no
lugar que Eu escolher, leia toda esta Torá aos ouvidos de toda a congregação
de Israel..."
(12)
"Reuna todo o povo, os homens, as mulheres e as crianças, e o estrangeiro
que estiver dentro de suas fronteiras, para que escutem, para que aprendam e
para que temam a Hashem seu D-us, e para que cuidem em cumprir tudo o que diz
esta Torá."
Como
se cumpria esta mitsvá?
Todo
o povo, incluindo os homens e mulheres, crianças e idosos , e até os bebês,
se reuniam em volta do Beit Hamikdash no primeiro dia de Chol hamoed da festa de
Sucót, que neste ano (5762) é uma quarta-feira (na diáspora é o segundo dia
de Sucót). Os cohanim preparavam com antecedência um estrado elevado de
madeira para o Rei, de forma todos podiam ouví-lo bem.
Chegada
a hora da leitura, tocavam trombetas por toda a cidade, anunciando seu início.
O Rei subia no estrado e
sentava-se numa cadeira especial, de seu uso único e exclusivo. Nenhum ser
humano tem a permissão de sentar-se na área do Beit Hamikdash, com exceção
dos reis da casa de David. O gabai (assistente) do Mikdash retirava um sêfer
Torá do Aron Hakodesh (arca sagrada) e o passava para o responsável pelos
assuntos do Templo. Este passava o sêfer para o segundo Sumo Sacerdote, que o
passava para o Sumo Sacerdote, que o levava atá o Rei.
O
Rei recebia o livro com pompa e reverência, abria, recitava as bençãos da Torá
e lia em voz alta e agradável todo o Chumash (livro) Devarim, desde seu início
ate o Shemá Israel, saltava para a parashá (porção) Vehaia Im Shamoa,
saltava para outras passagens importantes, e concluia com o passuk (versículo):
"Estas
são as palavras do pacto que Hashem ordenou a Moisés para selar com a Nação
de Israel, fora o pacto que já fora selado no Monte Horev" (Devarim
28:69).
Neste
passuk está contido o segredo desta mitsvá: renovamos a cada sete anos o pacto
que fizemos com Hashem no monte Sinai.
O
evento da reunião de todo o povo era uma ratificação do recebimento da Torá
no Monte Sinai, por isso devemos escutar da boca do Rei as palavras da Torá com
reverência e temeridade, como se tivessem sido proferidas pelo próprio D-us.
Segundo Rambam (Chaguigá, 3:6).:
"Devem
preparar os seus corações e seus ouvidos para escutar com reverência, temor e
regozijo, como no dia em que estiveram no Monte Sinai. Mesmo os maiores sábios,
que conhecem toda a Torá, têm a obrigação de escutá-la com grande concentração;
e quem não podia escutá-la, tinha que ter esta intenção em seu coração,
uma vez que a intenção deste passuk é fortificar a fé na religião
verdadeira e para que a pessoa sinta-se como se estivesse escutando a Torá do
próprio D-us, pois o Rei é um shaliach (emissário) da palavra Divina."
Todos esperamos que em breve possamos ver a reconstrução do Beit Hamikdash, e que tudo o que escrevemos aqui se cumpra como toda e qualquer halachá (leia judaica). Caso, D-us nos livre, neste ano ainda não possamos cumprir esta mitsvá, então esta página servirá como ensino e saudades desta mitsvá, e Hashem verá em nosso anseio como se a tivéssemos cumprido. Cada um de nós, de maneira individual, pode renovar e reforçar o pacto eterno com Hashem. Quem estiver em Israel, vale a pena ir ao Kotel para presenciar o evento " lembrança da mitsvá do Hakhel", que costuma celebrar o Rabinato Central de Israel.