Santificação
da lua: até 3ª feira à noite-23/3
Não esquecer de vender o
chametz!
Jejum
dos Primogênitos : 4ª feira-27/3.
Pessach: 4ª feira à noite-27/3 - Não esquecer Eruv
Tavshilim!
POR
QUE APENAS POR QUE APENAS O SHABAT É
GRANDE?
O
shabat que antecede Pessach tem um nome especial: O Grande Shabat. Foi escrito
um parágrafo especial no Shulchan Aruch (Orach
Hayim, parágrafo 430), só para nos ensinar: “O shabat antes
de Pessach é chamado de O Grande Shabat”. Por que lhe foi dado este
nome e qual é a sua importância?
O
argumento mais conhecido figura no Sefer
Kol Bó (parágrafo 47): antes do Povo de Israel sair do Egito,
Moshé Rabeinu ordenou aos judeus que levassem consigo cordeiros, que
depois seriam abatidos e consumidos como sacrifício de Pessach (Êxodo,
12:3). Os judeus comemoraram a última noite antes da saída do
Egito comendo o sacrifício da festa. Os cordeiros deveriam ser preparados
de antemão, quatro dias antes da noite do Seder, como é dito na
Torá (Êxodo, 12:1-3): “E falou o Eterno a Moisés e a Aarão
na terra do Egito, dizendo: ... Falai a toda a congregação de
Israel, dizendo: no dia dez deste mês, tome para si, cada homem, um
cordeiro para cada família, um cordeiro para cada casa”.
Nos
dias de hoje, este preceito nos parece algo muito simples: apenas comprar um
cordeiro, para depois comê-lo. No entanto, tratava-se de um preceito muito
difícil de ser cumprido pelo Povo de Israel, devido à importância
que os egípcios atribuíam a este animal. O cordeiro era um
ídolo cultuado no Egito, semelhante ao que é feito atualmente com
as vacas na Índia. Encontramos provas disso na história de Yossef
e seus irmãos. Quando a família de Yaacov desceu ao Egito, não
quis morar na capital e misturar-se com a comunidade egípcia. Yaacov
temia uma influência materialista local e, D’us o livre, casamentos
mistos. Os judeus queriam que o Faraó lhes desse autorização
para morar num lugar distante e isolado, numa redondeza que fosse só
judaica. Tendo em mente este propósito, Yossef aconselhou seus familiares
a dizer ao Faraó que eram pastores, que se ocupavam com rebanhos. Como os
cordeiros eram ídolos cultuados, o Faraó certamente não
manteria na cidade pessoas que comiam sua carne (Gênesis, 46:34). Lemos
também na Torá (Gênesis, 43:32) que os egípcios
odiavam fazer suas refeições com os judeus. Onkelos traduz: “Os
egípcios não podiam comer pão com os hebreus, porque estes
comiam o cordeiro que os egípcios adoravam”.
A
introdução de um cordeiro na cidade, com a finalidade de comê-lo,
era vista pelos egípcios como uma ofensa a tudo que lhes era sagrado.
Pouco antes da quarta praga, a dos animais ferozes, o Faraó propôs
a Moshé um acordo: ele daria aos judeus liberdade religiosa, permitindo
que fizessem sacrifícios ao Eterno dentro do Egito (Êxodo, 8:21).
Moshé compreendeu de imediato que tal proposta visava causar problemas
para os judeus e respondeu ao Faraó: “Se sacrificarmos a adoração
dos egípcios aos seus olhos, certamente eles nos apedrejarão!”.
Agora
podemos entender o quanto era difícil para o Povo de Israel fazer o
sacrifício de Pessach. Apanhar o animal em público, abatê-lo
e depois comê-lo, era algo que, indubitavelmente, causaria muita fúria
e até um pogrom contra os
judeus.
“Disse
o Povo de Israel: ‘O que faremos? Como faremos o sacrifício de Pessach
diante dos egípcios? Se sacrificarmos a adoração dos egípcios
aos seus olhos, eles certamente nos apedrejarão!’. Disse-lhes Hakadosh
Baruch Hu: Vereis o grande milagre que realizarei”(Kol
Bó, parágrafo 47).
O
Midrash conta que no ano da saída do Egito, o dia 10 de Nissan caiu num
shabat (como agora, em 2002). Naquele shabat, os judeus saíram para
apanhar cordeiros para o sacrifício, com muito receio porém
plenamente convictos de que Hakadosh Baruch Hu realizaria um milagre. Quando os
egípcios viram o que os judeus estavam fazendo, enfureceram-se e quiseram
matá-los. Tomaram suas espadas e reuniram todo o povo, para se vingar dos
judeus. Mas Hakadosh Baruch Hu realizou grandes milagres, fazendo recair sobre
eles doenças e sofrimentos que os impediram de colocar em prática
sua trama. É por causa destes milagres que este shabat específico
é chamado de “O Grande Shabat”- Shabat Hagadol.
O
Beit Yossef (parágrafo 430)
fez as seguintes perguntas acerca deste argumento: isso significa que, durante
os quatro dias que antecederam Pessach, houve grandes milagres. Em cada um
desses dias, os egípcios quiseram matar os judeus. Por que então só
o shabat é chamado de “Shabat Hagadol”? Deveriam chamar todos estes
dias de “Os Grandes Dias”.
Ouvi
uma contestação segundo a qual o grande milagre não estava
relacionado com o que fora feito aos egípcios, mas com o fato dos judeus
terem tido a coragem de sentir-se livres e não temer os egípcios.
Já foi dito que “mais difícil que tirar os judeus da Diáspora
é tirar a Diáspora dos judeus”. Vemos que também nos dias
do Segundo Templo, assim como atualmente, a maior dificuldade era convencer os
judeus a imigrar para Israel. Eles já se haviam acostumado a viver como
um povo sem pátria e sem orgulho nacional. Às vezes, considerações
materiais são mais importantes para os judeus que a identidade judaica e
o cumprimento apropriado das mitzvot. Nestes anos todos em que vivemos na Diáspora,
às vezes nos esquecemos que fazer parte do povo de D’us significa também
ser um povo com nacionalismo próprio. Não é agradável
questionar quantos judeus estariam vivendo atualmente em Israel se o Holocausto
europeu não os tivesse forçado a fazê-lo.
Este
é o grande milagre do Shabat Hagadol. O fato dos judeus terem deixado de
sentir medo dos gentios e de render-se a eles, a crença em Hashem e a
transformação num povo soberano e altivo. Um povo que conhece sua
identidade nacional, construída a partir de sua lealdade para com D’us
e a preservação do Shabat. Antes de sairmos da escravidão
egípcia para a liberdade física, devemos abandonar nossa forma de
pensar, tão característica da Diáspora. Lembrar que somos
um povo livre e independente, que possui uma bandeira e um governo próprios.
Desse modo, poderemos celebrar a Festa da Liberdade, sentindo uma liberdade
espiritual plena e verdadeira.
Shabat
Shalom – Pessach Kasher VeSameach !