BS'D

BNEI AKIVA - SÃO PAULO

Reflexões sobre a Parashát hashavua

Por Rav Moshe Bergman

Parashát Vailech

Shabát Shuvá - Aftará: SHUVA ISRAEL (Hoshea 14)

 

Os dez dias intermediários entre Rosh Hashaná e Iom Kipur são chamados na halachá de "os dez dias de teshuvá". Durante estes dez dias é dada ao homem uma nova oportunidade de rever os pecados que cometeu durante o ano e corrigí-los.

Na prática, se não contarmos os dias de Rosh Hashaná e Iom Kipur, teremos apenas 7 dias de teshuvá. Os livros de Mussar (moral judaica) dizem que durante estes dias devemos corrigir um dia por cada dia da semana concomintante durante o ano. Ou seja, que na Quinta feira desta semana podemos corrigir os pecados cometidos em todas as Quintas-feiras do ano todo, e no Domingo corrigimos os pecados feitos durante todos os Domingos do ano. Em especial durante este Shabát, o Shabát Shuvá, devemos tentar corrigir todas as faltas cometidas durante todos os Shabatót do ano.

Este Shabát também á chamado de Shabát Shuvá, devido a Aftará que lemos do livro de Hoshea (14).

"Voltem Israel, para Hashem teu D-us, pois falhastes e cometestes pecados". A aftará conclui com estas palavras: "Os caminhos de Hashem são retos, os tsadikim os trilharão com sucesso, e os malvados errarão neles".

Nestes versículos encontramos um dos princípios básicos da teshuvá: Às vezes as pessoas pensam que somos criados com dois caminhos completamente diversos: um totalmente bom e outro totalmente mau, e temos de escolher entre um dos dois. Hashem cria ambos caminhos com cinquenta por cento de possibilidades boas e cinquenta más, e deixa para o homem o arbítrio de encontrar o caminho correto;  assim como um computador novo, o qual poderíamos programar para realizar este ou aquele tipo de tarefa, de cunho positivo ou negativo.

Entretanto, o profeta Hoshea nos ensina que não é bem assim: o homem nasce com uma tendência natural para o Bem. Seu ponto de partida não é equitativo com o Mal. O homem em geral é bom e precisa se esforçar para praticar o mau, pois o potencial que Hashem colocou no homem é  para praticar o bem, o que é correto. Hashem não coloca o homem em encruzilhadas pois "Os caminhos de D-us são retos". O caminho reto, que paira diante do homem, é o caminho de Hashem, enquanto que para o caminho errado temos de dar uma volta e nos esforçar para adentrar a ele. O homem nasce "programado" para praticar o bem e precisa adicionar falhas ao seu sistema para poder praticar o mal. O pecado é tão somente uma falha humana, temporária e corrigível, e não algo fundametado em seu coração.

Assim também disse o Rei Salomão, considerado o mais inteligente dentre os homens: "Encontrei no homem a vontade fazer o que é correto aos olhos de Hashem, mas este acrescentou outras considerações ao seu comportamento." (Kohelet, 7:29).

O homem precisa fazer cálculos e tomar rumos diversos para praticar os atos maldosos, mas se trilhar os caminhos de Hashem verá que estes são retos e precisos. Esta é a sua tendência nata.

Uma forte expressão desta tendência percebemos no fato que o homem sente remorsos por haver feito um ato pecaminoso, e jamais sente-se em paz por haver incorrido nestes atos. A voz da consciência é a voz do seu coração que o diz ter se desviado do caminho que Hashem preparou para esta pessoa.

Assim, ao entender que o homem é naturalmente bom, e que o pecado é temporário, nos fica mais fácil entender o ideal da teshuvá. Na verdade, ao fazer teshuvá, o homem apenas faz com retornar a seu caminho inicial e natural: praticar o bem.

Se a teshuvá significasse sair de um caminho tortuoso para outro, seria muito mais difícil fazê-la, e bem mais dificil para Hashem aceitá-la.

Agora que aprendemos que o bem é o estado original, e o mal é um excesso, só nos resta eliminar o excesso e ficar com o bem.

"Voltem Israel, para Hashem teu D-us, pois falhastes e cometestes pecados !".

 

Gmar Chatimá Tová para toda a Casa de Israel.