BNEI AKIVA - SÃO PAULO

Reflexões sobre a Parashát hashavua

Por Rav Moshe Bergman

 Parashát Chucát - Balac – 12 / Tamuz / 5762 – 22/junho/02

Haftará: Miquéias, 5               (EM ISRAEL, APENAS PARASHÁT BALAC)

Em 27 de junho (5a. feira): Jejum de 17 de Tamuz, que em breve se tornará um dia de alegria.

 

POR QUE MOSHÉ TEVE MEDO?

Na nossa parashá, Moshé Rabeinu trava grandes lutas contra inimigos perigosos e poderosos, cuja força era temida por todos.

A primeira batalha foi contra Sichón, rei do Emoreu (Números, 21:23). Rashi descreve o poderio militar de Sichón. Todos os rei de Canaã pagavam-lhe impostos para que ele os protegesse. Não havia no mundo nenhum ser humano capaz de vencê-lo naturalmente. Sichón cercou Cheshbon, sua capital, com tantas fortalezas que mesmo repleta somente de mosquitos, nenhuma criatura poderia conquistá-la.

Após a derrota de Sichón, Og, rei de Bashan, saiu em luta contra Israel (Números, 21:33). Og era um dos últimos gigantes que havia restado no mundo, depois que a maior parte deles fora aniquilada na época de Avraham Avinu (Deuteronômio,3:11 e em Rashi). Com a ajuda de Hakadosh Baruch Hu, Moshé Rabeinu e seu exército foram capazes de derrotá-lo.

Ainda que ambos, Sichón e Og, fossem reis poderosos, Moshé temia  apenas o combate contra o segundo. Receava perder a guerra e, por este motivo, não queria lutar. Até que Hakadosh Baruch Hu o tranqüilizou, dizendo-lhe explicitamente: “Não o temas, porque em tua mão o entreguei, a ele, a todo o seu povo e a sua terra” (Números, 21:34).

Por que Moshé tinha mais medo de Og do que de Sichón?

Rashi explica que os sentimentos de Moshé não estavam relacionados ao poderio militar. Ele sabia que, neste aspecto, Hakadosh Baruch Hu o ajudaria a enfrentar o problema. Moshé receava a força espiritual de Og, uma qualidade especial que poderia ajudá-lo a vencer o Povo de Israel.

465 anos antes de Moshé Rabeinu, na parashá “Lech Lechá”, a Torá relata a grande guerra travada por Kedarlaómer e seus amigos (Gênesis, 14:1). Nela foi morta a maioria dos gigantes do mundo e cinco grande reinados destruídos. Entre eles o de Sodoma, cujos habitantes foram levados como reféns. Lot, sobrinho de Avraham Avinu, encontrava-se entre os prisioneiros exilados. Avraham tinha a obrigação moral de proteger Lot e, portanto, partiu para a guerra com grande coragem. Venceu Kedarlaómer e libertou os prisioneiros. Como foi que Avraham tomou conhecimento do que havia acontecido com Lot?

A Torá relata: “E veio um que escapou e deu parte a Avraham, o hebreu”(Gênesis, 14:13). Quem era ele e por que se preocupou em contar a Avraham o que acontecera? O Midrash Bereshit Rabá (42,8) conta que se tratava de Og, cuja conduta não fora movida pelo amor, mas por pura maldade. Og sabia que o senso de justiça de Avraham  o impeliria a sair em guerra; ele estava certo que Avraham morreria, pois quem poderia sobrepujar a Kedarlaómer, que vencera os gigantes e os cinco reinados? Og conhecia a beleza de Sara e a cobiçava para ser sua mulher. Achava que depois que Avraham lutasse e morresse em combate, poderia conquistar Sara.

Ainda que os propósitos de Og fossem para o mal, ele acabou fazendo um ato de bondade para Avraham. Graças a ele, Avraham tomou conhecimento da situação na qual Lot se encontrava e, confiante em D’us, foi salvá-lo. Por este ato de benevolência Og merece sua recompensa, direito que ainda lhe era devido. É este direito espiritual que Moshé Rabeinu tanto temia. Ele receava que a ajuda prestada a Avraham garantisse a Og o direito de vencer o Povo de Israel. Foi somente após a promessa de D’us que Avraham teve a audácia necessária para lutar contra Og.

O livro “Mei Marom”(parte 5, p.214) aprendeu deste fato algo muito importante. O mais surpreendente é que Og, apesar dos seus intuitos malévolos, mereceu um privilégio, pois sua conduta acabou causando o bem. O privilégio que obteve como recompensa era tão grande que Moshé receava que pudesse levá-lo a vencer todo o Povo de Israel.

Devemos, portanto, nos admirar quão imensa é a recompensa por um ato de benevolência. Ainda que se tenha em mente maus propósitos! Ademais, a recompensa não é só pessoal, diz respeito à vitória sobre todo um povo! Tampouco é necessariamente imediata, pode ser preservada por 465 anos! Todo ato de bondade para com o próximo é tão benquisto e valorizado por Hakadosh Baruch Hu que, mesmo sendo único, pode levar à vitória em uma guerra!

Essa lição nos ensina que devemos ser duplamente cuidadosos com o respeito que devemos ter para com nossos semelhantes. Se para um pequeno ato de benevolência, como o de Og, a recompensa é tão grande, o que dizer daquela que receberá quem faz o bem verdadeiro para seus semelhantes!

Shabat Shalom!