Em
27 de junho (5a. feira): Jejum de 17 de Tamuz, que em breve se tornará um dia
de alegria.
POR
QUE MOSHÉ TEVE MEDO?
Na
nossa parashá, Moshé Rabeinu trava grandes lutas contra inimigos perigosos e
poderosos, cuja força era temida por todos.
A
primeira batalha foi contra Sichón, rei do Emoreu (Números, 21:23). Rashi
descreve o poderio militar de Sichón. Todos os rei de Canaã pagavam-lhe
impostos para que ele os protegesse. Não havia no mundo nenhum ser humano capaz
de vencê-lo naturalmente. Sichón cercou Cheshbon, sua capital, com tantas
fortalezas que mesmo repleta somente de mosquitos, nenhuma criatura poderia
conquistá-la.
Após
a derrota de Sichón, Og, rei de Bashan, saiu em luta contra Israel (Números,
21:33). Og era um dos últimos gigantes que havia restado no mundo, depois que a
maior parte deles fora aniquilada na época de Avraham Avinu (Deuteronômio,3:11
e em Rashi). Com a ajuda de Hakadosh Baruch Hu, Moshé Rabeinu e seu exército
foram capazes de derrotá-lo.
Ainda
que ambos, Sichón e Og, fossem reis poderosos, Moshé temia
apenas o combate contra o segundo. Receava perder a guerra e, por este
motivo, não queria lutar. Até que Hakadosh Baruch Hu o tranqüilizou,
dizendo-lhe explicitamente: “Não o temas, porque em tua mão o entreguei, a
ele, a todo o seu povo e a sua terra” (Números, 21:34).
Por
que Moshé tinha mais medo de Og do que de Sichón?
Rashi
explica que os sentimentos de Moshé não estavam relacionados ao poderio
militar. Ele sabia que, neste aspecto, Hakadosh Baruch Hu o ajudaria a enfrentar
o problema. Moshé receava a força espiritual de Og, uma qualidade especial que
poderia ajudá-lo a vencer o Povo de Israel.
465
anos antes de Moshé Rabeinu, na parashá “Lech Lechá”, a Torá relata a
grande guerra travada por Kedarlaómer e seus amigos (Gênesis, 14:1). Nela foi
morta a maioria dos gigantes do mundo e cinco grande reinados destruídos. Entre
eles o de Sodoma, cujos habitantes foram levados como reféns. Lot, sobrinho de
Avraham Avinu, encontrava-se entre os prisioneiros exilados. Avraham tinha a
obrigação moral de proteger Lot e, portanto, partiu para a guerra com grande
coragem. Venceu Kedarlaómer e libertou os prisioneiros. Como foi que Avraham
tomou conhecimento do que havia acontecido com Lot?
A
Torá relata: “E veio um que escapou e deu parte a Avraham, o hebreu”(Gênesis,
14:13). Quem era ele e por que se preocupou em contar a Avraham o que
acontecera? O Midrash Bereshit Rabá (42,8) conta que se tratava de Og, cuja
conduta não fora movida pelo amor, mas por pura maldade. Og sabia que o senso
de justiça de Avraham o impeliria
a sair em guerra; ele estava certo que Avraham morreria, pois quem poderia
sobrepujar a Kedarlaómer, que vencera os gigantes e os cinco reinados? Og
conhecia a beleza de Sara e a cobiçava para ser sua mulher. Achava que depois
que Avraham lutasse e morresse em combate, poderia conquistar Sara.
Ainda
que os propósitos de Og fossem para o mal, ele acabou fazendo um ato de bondade
para Avraham. Graças a ele, Avraham tomou conhecimento da situação na qual
Lot se encontrava e, confiante em D’us, foi salvá-lo. Por este ato de benevolência
Og merece sua recompensa, direito que ainda lhe era devido. É este direito
espiritual que Moshé Rabeinu tanto temia. Ele receava que a ajuda prestada a
Avraham garantisse a Og o direito de vencer o Povo de Israel. Foi somente após
a promessa de D’us que Avraham teve a audácia necessária para lutar contra
Og.
O
livro “Mei Marom”(parte 5, p.214) aprendeu deste fato algo muito importante.
O mais surpreendente é que Og, apesar dos seus intuitos malévolos, mereceu um
privilégio, pois sua conduta acabou causando o bem. O privilégio que obteve
como recompensa era tão grande que Moshé receava que pudesse levá-lo a vencer
todo o Povo de Israel.
Devemos,
portanto, nos admirar quão imensa é a recompensa por um ato de benevolência.
Ainda que se tenha em mente maus propósitos! Ademais, a recompensa não é só
pessoal, diz respeito à vitória sobre todo um povo! Tampouco é
necessariamente imediata, pode ser preservada por 465 anos! Todo ato de bondade
para com o próximo é tão benquisto e valorizado por Hakadosh Baruch Hu que,
mesmo sendo único, pode levar à vitória em uma guerra!
Essa
lição nos ensina que devemos ser duplamente cuidadosos com o respeito que
devemos ter para com nossos semelhantes. Se para um pequeno ato de benevolência,
como o de Og, a recompensa é tão grande, o que dizer daquela que receberá
quem faz o bem verdadeiro para seus semelhantes!
Shabat
Shalom!