BNEI AKIVA - SÃO PAULO

Reflexões sobre a Parashát hashavua

Por Rav Moshe Bergman

 

 

Parashát Bamidbar – 29/Iyar/5762    11/maio/02

 Haftará: 1 Samuel, 20              44 dias da Contagem do Omer                   

Neste shabat abençoamos o mês de Sivan, que tem início no domingo.      ovilúnio: Domingo, 3 h 58 minutos e 6 frações

Festa de Shavuot: Sexta-feira, dia 6 de Sivan – 17 de maio.                                     Não esquecer de fazer Iruv Tavshilim!

 

Yom Yerushalaim

 

Venha comemorar os 35 anos da libertação e reunificação de Jerusalém!

Quinta feira 09/05 - 19:30h

 

POR QUE JERUSALÉM ESPEROU 19 ANOS?

Este Shabat une duas datas judaicas especiais. Na sexta-feira, comemoraremos o Dia de Jerusalém, agradecendo a Hashem pelo retorno do povo judeu à sua cidade, há 35 anos. O Shabat marca o dia do falecimento de um dos maiores profetas judeus. O profeta Samuel, que era ponderado como Moshé e Aharon (Taanit, 5), morreu no dia 29 de Iyar (Meguilat Taanit). Alguns afirmam ter ele falecido no próprio Dia de Jerusalém (Shulchan Aruch, 580:2). Não é por acaso que o dia do falecimento do profeta Samuel associa-se ao Dia de Jerusalém. Samuel tinha uma relação única e profunda com  a cidade. Foi o primeiro a descobrir que Jerusalém seria a Cidade Sagrada, difundindo isso para o povo judeu.

Quem procurar na Torá (Pentateuco) o nome da cidade de Jerusalém se surpreenderá com um fato interessante. Ela não é mencionada diretamente nos cinco primeiros livros bíblicos como cidade sagrada e capital do povo judeu! Por outro lado, seu nome figura centenas de vezes nos Livros dos Profetas e nos Escritos. No Pentateuco, Jerusalém é mencionada como o local onde foi realizado o sacrifício de Yitzchak (Gênesis, 22:2) e como uma cidade gentia (Gênesis, 14:18). Não como a cidade eterna do povo judeu!

No Deuteronômio, relata-se que, no futuro, haverá uma cidade escolhida por Hashem, para nela estabelecer a sua Shechiná. “No lugar que escolher o Eterno, numa de tuas tribos, ali oferecerás as tuas ofertas de elevação, e ali farás tudo o que eu te ordeno” (Deuteronômio, 12:14). No entanto, a Torá não quis nos dizer explicitamente onde seria este lugar. Ao invés de “na cidade sagrada de Jerusalém”, está escrito “na cidade em que o Eterno escolher”.

O local do âmago do povo judeu foi mantido em segredo por mais de 400 anos. A Guemará (Zevachim, 54) relata que o profeta Samuel e o rei David procuraram, exaustivamente, nas alusões da Torá, até descobrir que a cidade escolhida era Jerusalém. Alguns anos mais tarde, David comprou o lugar no Monte Moriá onde mais tarde seria construído o Templo, pagando por ele o preço total (Samuel 2, 24:24). Desde então, Jerusalém tornou-se a cidade eterna e o coração do povo.

Por que a Torá ocultou o nome de Jerusalém como cidade sagrada do povo judeu?

O Rambam (Maimônides), em sua obra Guia dos Perplexos (parte III, cap. 45), apresenta três razões para o fato, todas elas muito relevantes e atuais.

1. Se a localização da cidade sagrada fosse mencionada na Torá, se tornaria conhecida também por todas as nações do mundo. Por conseguinte, os demais povos não renunciariam à cidade facilmente, lutando para conquistá-la. Na atualidade, vemos em especial como este argumento é verdadeiro. Os árabes travam sua luta mais feroz justamente pela posse de Jerusalém, sabendo o alto valor que tem a cidade sagrada. Eles entendem que a posse da cidade lhes dará uma força espiritual muito especial para lutar contra nós.

2. Para que os gentios não destruíssem a cidade. Também esta explicação é compreendida nos dias de hoje. Vemos a grande destruição que os árabes causam aos resquícios arqueológicos do nosso mikdash. Sabendo que a cidade é importante para nós, querem apagar toda e qualquer lembrança da presença judaica.

3. Para que não haja disputas entre as tribos de Israel sobre quem terá o privilégio de herdar a região na qual Jerusalém se encontra.

Na época de David, quando o povo estava unido sob uma liderança única e consensual, foi possível determinar isso sem disputas.

Com base nas palavras do Rambam, podemos entender algo maravilhoso. Na Guerra da Independência (1948), houve muitas tentativas para conquistar Jerusalém. O Exército de Defesa de Israel, que representa todo o povo judeu, ainda não havia sido criado, mas os movimentos Etzel e Lechi tentaram conquistar a cidade e fracassaram. Por que o povo judeu não teve, naquela época, o privilégio de retornar à sua cidade e só na Guerra dos Seis Dias (1967) Hashem nos ajudou a conquistá-la?

O Rav Moshe Tzvi Neria (um dos fundadores do Bnei Akiva) explicou que, naquele tempo, o povo não estava unido. Caso houvessem conquistado Jerusalém durante a Guerra da Independência, os movimentos Etzel e Lechi disputariam quem mereceria, de fato, a glória pelo feito. O Estado de Israel ainda não tinha sido fundado e, portanto, não tinha um governo escolhido por todos. Jerusalém é uma cidade que o povo judeu tem o privilégio de ganhar somente quando todos estão unidos ao seu redor com amor. No Talmud de Jerusalém (Baba Kama, 7:7) é dito que Jerusalém é a cidade “que une os filhos de Israel uns aos outros”. Foi só na Guerra dos Seis Dias, quando havia um governo de coalizão nacional, aceito por todo o povo, que este teve a força espiritual de retornar ao legado de nossos antepassados.

Nos últimos anos, temos visto, com pesar, como o domínio judeu sobre Jerusalém tem enfraquecido. Para nossa grande vergonha, muitos judeus abandonaram o ligacao profundo de povo judeu com Yerushalaim. Tudo isso acontece paralelamente a uma cisão do povo. Se conseguirmos unir-nos novamente, devolveremos a nós próprios o privilégio e a força espiritual para reconstruir em breve, em Jerusalém, o nosso Templo.

Um Feliz Yom Yerushalaim e Shabat Shalom!